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18/11/2009 03:00
JUROS VOLTAM A SUBIR APÓS OITO MESES DE QUEDAS, APONTA ANEFAC
Os juros praticados para consumidores e empresas voltaram a subir, no mês de de outubro, após oito meses de quedas consecutivas, aponta levantamento feito pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). Para pessoa física, a taxa média de juros atingiu 7,03% no mês passado ante 7,01% em setembro. Trata-se da maior taxa média desde agosto de 2009. No caso de pessoa jurídica, a taxa média registrada em outubro foi de 3,91% ao mês, ante 3,89% em setembro. Também nesse caso, é o maior juro desde agosto. "Estas elevações podem ser atribuídas ao aumento do custo de captação dos bancos com a elevação dos juros futuros por conta da expectativa de que o Banco Central possa elevar a Selic em 2010", comenta a área de pesquisa da Anefac. Por outro lado, a Associação espera que as instituições financeiras e o varejo em geral aumentem mais ainda os prazos de financiamento e a concessão de empréstimos. E apontam as razões: primeiro, a pior fase da crise mundial já passou; segundo, o menor risco de inadimplência. A Anefac acredita que o consumidor, nos próximos meses, vai se deparar com uma nova situação: reduções dos juros das operações de crédito em patamares superiores às quedas da taxa básica de juros, justamente o contrário do que ocorreu nos últimos anos. Vários fatores concorrem para esse cenário inédito, entre eles: o nível da taxa Selic (hoje em 8,25% ao ano) estimula que os bancos parem de emprestar tanto ao governo (aplicações de tesouraria) e passe a emprestar para consumidores e empresas; a maior competição no sistema financeiro; menor inadimplência, e a introdução do cadastro positivo. O cadastro positivo é uma metodologia de conceder crédito, em que se considera o histórico de endividamento de cidadão, de forma a premiar os habituais "bons pagadores". Empréstimos mais caros A pesquisa da Anefac aponta que o empréstimo ao consumidor feito nos bancos foi a linha de crédito à pessoa física que mais aumentou entre setembro e outubro. A taxa média passou de 5,02% ao mês, em média, para 5,06% nesse período. Ao ano, essa taxa representa um juro de 80,82%. A operação de crédito mais cara para pessoa física, no entanto, continua sendo a taxa do cartão de crédito, que foi mantida em 10,68% ao mês entre setembro e outubro. Trata-se da única linha pesquisada pela Anefac que ficou "congelada" entre esses dois meses. Ao ano, essa taxa faz uma dívida mais que triplicar: 237,93%. Depois do empréstimo ao consumidor, a outra linha de crédito que subiu mais foi justamente uma das mais caras: o juro do cheque especial, que passou de 7,34% ao mês (em média) para 7,38%, entre setembro e outubro. Ao ano, essa taxa representa um juro de 135,01%. Empresas As operações mais caras para as empresas também foram as linhas que mais subiram entre setembro e outubro, ainda conforme o levantamento da Anefac. Os bancos praticaram juros de 5,28% ao mês na linha de conta garantida (espécie de cheque especial para as empresas) em outubro, ante 5,24% em setembro. Ao ano, essa taxa representa juro de 85,42%. A linha de capital de giro, muito utilizada por empresas, subiu de 3,49% ao mês para 3,50% entre esses dois meses. Ao ano, essa taxa significa um juro de 51,11%. O juro médio para desconto de duplicatas aumentou de 3,39% ao mês para 3,41%, o que anualmente significa um juro de 49,54%. No caso do desconto de cheques, o juro médio passou de 3,44% ao mês para 3,46% (50,41% ao ano). Fonte:Folha Online